TERRAS DE PENAGOYÃ : GODYM : REGULA

Apesar de nos tempos de hoje não ser uma realidade correspondente ao que era no passado, defendo a sua promoção e estudo. Porque a nossa história deve ser estudada, preservada e publicitada.
SE NÃO DEFENDERMOS O QUE É NOSSO, QUEM É QUE O DEFENDE?
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Por Monteiro de Queiroz, 2018

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Descrição do Terreno em Redor de Lamego duas léguas : 1531 - 1532


DESCRIÇÃO DO TERRENO EM REDOR DE LAMEGO DUAS LÉGUAS (1531-1532)

"(…)

ALÉM DOURO

[Rodes] Item Moura Morta, de pão 400, de vinho 300, de castanha 700.

[Pero da Cunha] Item Sedielos, de pão 1 500, de vinho 600, de castanha 1600.

[De Moura Morta] Item Fontes, de pão 600, de vinho 400, de castanha 1 000.

[Padroeiros] Item Lobrigos, de pão 1 600, de vinho 400, de azeite 100, de castanha 1 000.

[São João de Tarouca] Item Oliveira e Bamba, de pão 300, de vinho 200, de castanha 100, de azeite 40.

[Dos Guedes] Item Loureiro, de pão 40071, de vinho 30072, de castanha 600, de azeite 20.

Item São Pisco da Régua, de pão 800, de vinho 400, de castanha 150, azeite 300.

[Bispo do Porto] Item a câmara do bispo do Porto que se chama o Peso da Régua de pão 1 000, de vinho 400, de castanha 150 e de azeite 300.

[De El Rei] Item Fontelas, de pão 300, de vinho 100, de castanha 150, de azeite 50.

[Rodes] Item a comenda de Poiares, de pão 5 000, vinho 1 000, azeite 500, fora foros, castanha 1 000.
[fl. 3][fl. 3v]
(p. 44)

(…)

DAS BARCAS DE PASSAGEM

Item no dito compasso no dito Douro passam seis barcas, que são as seguintes: Bagaúste, que é de Vossa Senhoria, a Régua, que é do bispo do Porto e do Ilustríssimo Dom Fernando, o Carvalho, que é de uma quintã, o Moledo, que foi posta pela rainha Dona Mafalda, o Bernaldo, que é de uma quintã, a de Porto de Rei outrossim feita pela rainha Dona Mafalda. As quais barcas do Moledo e Porto de Rei a dita rainha mandou pôr e deixou certas quintãs e casais para mantimento dos barqueiros que passam as ditas barcas sem levarem dinheiro, por grande, nem fora de marca que o Douro vá, e tem dois reais de pena, e da cadeia, se se provar pedirem eles dinheiro a alguma pessoa; todavia, se lho querem dar os que passam, [seja] por cortesia, mas não que o peçam. Na barca do Moledo deixou a dita rainha um hospital em que manda que dêm cama, fogo e sal e água aos caminhantes, e a governança do dito hospital e barca pertence a esta cidade.
[fl. 8v][fl. 9]
(p. 50)

(…)

[LARGURA E ALTURA DO DOURO]

E para mais declaração da altura e grandura de largo do Douro o fui medir com os criados de Vossa Senhoria à barca da Régua, que é uma légua desta cidade, e aos 28 de Maio de 1532 achámos de largura no rio 230 varas. A altura não se pôde tomar pela grande corrente da água e achámos que fora no ano de 1520 uma grande cheia e assim em outros anos em que levou de largo além da água que agora leva da parte dalém 150 varas e da parte daquém 50 varas e de altura vinte varas, fora a altura que agora tem. Assim que somou toda a largura no tempo das cheias com a que agora leva 450 varas, e tomando a altura do que vai com água a respeito da largura que foi vem por regra da geometria 21 varas e meia, que para 23 varas falta meia avos de vara que é a altura que agora pode levar e a altura das cheias junta com esta são 42 varas e 21, 22 avos de vara.
[fl. 10v]
(p. 52)

(…)

[CÓRREGO]

Item na parte dalém Douro no dito compasso há outra ribeira que chamam o Córrego, da grandura da Varosa, e também se passa em barca ao tempo que passa Varosa. Esta ribeira nasce dentro em Vila Pouca de Aguiar em uma fonte no cima do lugar. Vem por todo o vale de Aguiar, que é bom e grande, e vem ao redor de Vila Real e vem-se a meter no Douro em a Régua defronte da Varosa a uma légua desta cidade e de onde nasce a onde se mete no Douro são sete léguas. Não faço menção doutros ribeiros, digo, léguas; trás muitas trutas e bogas. Não faço menção doutros ribeiros que neste se metem por serem pequenos, e ainda que trazem algumas trutas pequenas.

DA RIBEIRA DE SERMENHA

Item há outra ribeira que chamam Sermenha que nasce na Serra do Marão. Mete-se no Douro entre o barco do Moledo e do Carvalho e trás trutas e bordalos muito bons.
[fl. 16]
(p. 57)

(…)

TÍTULO DO NÚMERO DA GENTE DESTE CIRCUITO
[fl. 16]

(…)

ALÉM DOURO

(…)

[De Vossa Senhoria]
Item Canelas [tem] .................................................... 100 [vizinhos]

[Do bispo do Porto]
Item o Peso [tem] ....................................................... 60 [vizinhos]
[fl. 16]
(p. 59)

(…)

Estas duas léguas deste compasso é a mais sadia terra e dos mais excelentes ares que há no Reino tirando o Peso que é na barca da Régua, que é terra muito doentia, e tem os ares carregados e as águas muito más por a terra ser de qualidade da terra de Alentejo. O mais compasso da terra é muito são de mui poucas febres e de poucas maleitas e desde que os Judeus de Castela entraram em Portugal, que então foram mui grandes pestilências, nunca mais houve peste.
[fl. 22]
(p. 66)

(…)"

Rui Fernandes - “Descrição do terreno ao redor de Lamego duas léguas [ 1531-1532 ]”, ‘Estudo introdutório, transcrição actualizada e fixação crítica do texto’, por Amândio Jorge Morais Barros, Edição, Estudo Introdutório e Apêndice Documental, 2012, Caleidoscópio - Edição e Artes Gráficas, S.A.

Obs.:
[fl. …] - ref. a “Descrição do terreno ao redor de Lamego duas léguas [ 1531-1532 ]”
(p. …) - ref. a ‘Estudo introdutório, transcrição actualizada e fixação crítica do texto’

[r.2025.12.27 - Monteiro deQueiroz]
Eduardo José Monteiro de Queiroz - Monteiro deQueiroz - por MdQ - dQz